Bispos e Diáconos
É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, moderado, sensato, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar… Os diáconos igualmente devem ser dignos, homens de palavra, não amigos de muito vinho nem de lucros desonestos. (1 Timóteo 3.2-8)
Existem dois tipos de oficiais na igreja. Primeiro, há os presbíteros, também chamados de bispos. Eles são homens maduros e instruídos cuja tarefa principal é o ensino, mas que são também responsáveis pelas decisões administrativas mais importantes da comunidade. Em conexão com isso, eles têm autoridade para reforçar os mandamentos apostólicos com respeito à disciplina eclesiástica. Então, os diáconos são os assistentes dos presbíteros e servos da igreja. Eles devem lidar com questões práticas que de outra forma atrapalhariam os presbíteros em sua obra de oração e pregação, tais como distribuição de ajuda. Eles não têm autoridade sobre os presbíteros. A “junta diaconal” de hoje é antibíblica. Um modelo mais bíblico seria existir uma junta de presbíteros, e uma equipe de diáconos que executariam as decisões dessa junta.
Comentários estranhos são algumas vezes feitos com respeito a nossa passagem. De acordo com alguns pregadores e escritores, aqui é declarado que um oficial da igreja deve possuir um caráter digno, mas não é dito que ele deve afirmar a sã doutrina. Aqueles que exigem pureza doutrinária dos seus líderes são fariseus fanáticos e sem amor, que perderam a sintonia com Deus. Há grandes problemas com essa interpretação da passagem, com esse argumento a partir do silêncio, ou suposto silêncio, e com a conclusão extraída de tal interpretação.
Suponha que eu esteja envolvido numa disputa jurídica e gaste horas relatando isso a um amigo. Visto que o caso envolve disposições, comparecimentos ao tribunal, e muita papelada, estou correndo para encontrar um advogado que me represente. Num determinado momento meu amigo pergunta: “Que tipo de advogado você está procurando?”. Eu paro por um instante e respondo: “Estou procurando um advogado que seja honesto comigo, e que seja pontual, eficiente, educado e decente. Visto que não tenho familiaridade com a lei nesta área, ele deve também ser alguém com muita paciência.” Agora, imagine se o meu amigo responde: “Você não mencionou se ele deve conhecer a lei. Isso não é importante então?” Sem dúvida, um advogado deve conhecer a lei! A questão toda é sobre a lei! Eu disse que ele deve me representar nas disposições, no tribunal e no manuseio da papelada. O contexto inteiro sugere que estou procurando um especialista na lei; só que estou procurando um especialista na lei que possua outras qualidades que também são importantes pra mim. A reação do meu amigo indica que ele esqueceu todo o contexto da conversa, ou que ele é uma pessoa tremendamente estúpida, ou as duas coisas.
Da mesma forma, dizer que a lista de qualificações de Paulo para os presbíteros e diáconos não requer que eles sejam sãos na doutrina denuncia uma deficiência em simples compreensão de leitura, e uma completa negligência do contexto das Epístolas Pastorais. Nessas cartas encontramos uma ênfase constante sobre a doutrina que é repetida de várias formas e de vários ângulos. Há mandamentos apostólicos para pregar a palavra, manter e transmitir ensinos corretos, e para se opor às falsas doutrinas e falsos mestres. Muitos desses são explícitos, algumas vezes diretamente aplicáveis aos ministros do evangelho, e frequentemente até mesmo a todos os crentes.
Dito isso, a lista de fato requer a sã doutrina em nossos presbíteros e diáconos. Paulo escreve que os bispos devem ser “aptos para ensinar”. Devemos pensar que ele quer dizer “aptos para ensinar falsas doutrinas”? E os diáconos “devem apegar-se às verdades profundas da fé” (NIV).* A tarefa principal dos diáconos é o serviço prático, e assim Paulo não enfatiza a capacidade de ensinar “as verdades profundas da fé”. Mas observe que eles ainda devem afirmá-las. Aqueles que alegam que a lista não requer a firmeza e precisão doutrinária são desqualificados por essa própria passagem, pelo menos de serem presbíteros. Dizer o que eles dizem sobre essa lista indica que eles não conhecem a tarefa primária do presbítero ou bispo, e carecem da capacidade de entender as declarações claras da Escritura.
Paulo nos lembra de um princípio essencial na ordem da igreja – Deus requer características específicas nos líderes do seu povo. Uma pessoa não está qualificada simplesmente porque está disposta ou disponível, ou mesmo desejosa da posição. Ela não está qualificada simplesmente porque possui algumas qualidades que o mundo considera desejáveis, mas que são irrelevantes para a liderança espiritual. Uma consideração sóbria do que Paulo diz nos leva à compreensão que muitos, se não a maioria, do líderes da igreja hoje não estão qualificados para permanecer em suas posições.
A Bíblia requer que um ministro do evangelho seja correto em sua doutrina e caráter. Ele deve ser examinado nessas duas áreas. Contudo, se uma pessoa não é sã na doutrina, então nem precisamos considerar o seu caráter – ele não pode ser um presbítero ou diácono, pois pode não ser até mesmo um cristão. Possa Deus levantar muitos entre nós, e possa Deus mesmo se tornar o mestre deles, para que possam se tornar sadios na fé, tanto em sua doutrina como caráter, e conduzir a igreja do descrédito para a vitória gloriosa pela verdade e poder de Jesus Cristo.
* A NVI diz “devem apegar-se ao mistério da fé”. [N. do T.]
